quarta-feira, 28 de março de 2012


Depois da morte o horror,

Depois da morte o aproveitar e querer matar!

Se ousassem viver em vários chamamentos e servir,

Porque matar agora e não depois?

sábado, 24 de março de 2012

Nada é o complemento de tudo a existir!
Não haver nada de nada,
Talvez, seja o nada que nunca vês,
E por isso, o nada não deva de existir!
Nada haver nada de nada a existir de nada a haver,
Pode o nada ser nada de não existir,
A nada não nada, de não nada no existir; e nada!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Oferecer

Ofereço-te e mais ofereço!

Ofereço-te a minha pele

De receber e transmitir sensações.

Teu corpo, de suavidade corpo de mulher

É para mim o mesmo modo de leve toque,

Como a vivência da polaridade sexual é para ti,

No retorno das sensações e libertação!

Ofereço-Vos, tudo o que há-de vir

Como aquilo que foi e torna a vir.

Ofereço-Vos e não ofereço a outros!

Que por inveja só atrapalham e amontoam

O pouco que têm em discursos e trapalhices.

Ofereço-Vos, todo o meu amor e Vosso,

Como a reciprocidade do sentimento e nosso,

Na dualidade da emoção de Vos ter e penetrar.

Ofereço-Vos!

Para conseguir e não desistir da vida,

Para olhar e poder ver para além de mim,

Para poder sofrer e nada sentir,

Pra de tudo um pouco e um pouco mais!

Ofereço e mais ofereço!

sábado, 17 de março de 2012

Discurso 1 (Devaneio perpétuo)

Pergunto eu, o que me resta na consciência de um número de pensamentos e alucinações confusas, no preenchimento das minhas emoções? Multifacetado por vezes me sinto, mesmo que isso, seja um componente de ficar só, onde tudo se destruí, desvanece, e aparece como mendigo, que atormenta e sustem - embora depois da ressaca,  o consiga transportar numa qualquer carga, em qualquer fim até ao fim.

No meu esforço inútil que escrevi; enfraqueceu o equilíbrio involuntário que padeço em próprias ausências minhas, e aí, eu, me desejo: que tenha tantas páginas da minha vida como aquelas que eu tenha, de duvidoso formato.

Cessei em bons modos a paisagem que tinha sobre o amor. Deixando tudo ao relento em grandes melancolias. As tristezas de grandes tédios, fazem existir ambientes de sóbrio paladar por confortos de luxo e de absorção doentia. Pairar-me à superfície de outra qualquer coisa, é cansaço sobre sol fino de malefícios universais

Não sei explicar este cansaço, podendo ser muitas outras coisas conhecidas a que eu não consigo decifrar com o passado. Por isso, vejo com bons olhos a destreza do meu inconsciente em me proteger, dando a essa forma; o real que eu preciso para me sentir seguro e penso sentir o que sinto no também, o já tinha sentido; podendo mais tarde, regressar aquilo que me faz viajar, num estado mais leigo e puro. Todavia, aqui a ressaca não existe, dando a este estado, o bom de nos sentir mais seguros, e mais cómodos. Enganando-nos sobre a realeza desta e outras coisas, onde tudo pode sentir o fim e o começo…

Livro: Eloquência Portuguesa - 3ª Prate

Desenhei um sonho!

Era verde e cheio de esperança.

Era lento, era meu,

Era do artista:

Aqui não há lugar para lugar

Aqui, não há lugar para tudo!

Aqui, tudo não tem e tem lugar,

Aqui, o sonho, sabe sonhar e sabe acordar!

Aqui o sonho não tem insónias, não tem idade,

Aqui o sonho tem vivência,

Aqui o sonho equivale a vida,

Aqui, qualquer um pode ser sonho,

Aqui, qualquer coisa faz parte do sonho,

Aqui, toda a criança brinca.

Aqui.

O sonho sonha aqui!

O sonho materializa-se aqui,

O sonho, fantasia-se aqui!


De Helder Barroso